O nosso Alentejo

Estamos numa região de Portugal que sofre as tensões resultantes de uma religiosidade popular, esporadicamente praticada, e um ateísmo esmorecido.

A religião do povo é mística e idólatra e mistura conceitos cristãos aprendidos na igreja com práticas populares de culto aos mortos. Essas práticas envolvem falar com “as almas” dos familiares e conhecidos que já morreram e satisfazerem-lhe os pedidos pagando promessas a seu favor. Normalmente essas promessas são pagas a um dos muitos santos ou santas cujas imagens se encontram nas antigas igrejas ou capelas da região (ainda que contra a vontade dos líderes religiosos), ou, em casos de envolvimento mais profundo com o oculto, nas capelas, campas e jazigos dos cemitérios.

As gerações mais novas parecem não levar a sério nem as ideologias ateístas nem o cristianismo tradicional, e a apatia em relação a ambas parece ser o sentimento predominante. É o materialismo que sobressai como preocupação dominante da nova geração. O desejo de ter, sentir prazer e de chegar primeiro (competição) caracterizam esta geração.

A apatia resultante desta desilusão e o sentimento de vazio gerado pelo fracasso da busca pelo prazer e pelo ter, somada com algum recrudescimento do interesse pelo oculto e esotérico, gera nesta região uma das mais altas taxas de suicídio de Portugal e da Europa e faz deste povo o povo mais sofrido, triste e desiludido do nosso país.

Ainda assim, esta região é muito procurada por quem, fugindo do bulício das grandes cidades, quer encontrar paz e alguma nostalgia nestas terras imensas. São terras pouco povoadas e planas onde se pode ver no horizonte o céu tocando a terra da mesma forma que o céu toca o mar quando contemplamos o oceano.

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